O Porto de Belém encerrou o primeiro semestre de 2026 com um volume de movimentação de cargas 23% superior ao mesmo período do ano anterior. Os dados, divulgados pela Companhia Docas do Pará, indicam que a combinação entre a safra recorde de soja no Mato Grosso e o aumento da demanda asiática por minério de ferro foram os principais fatores desse desempenho.

"Estamos vivendo um momento singular para a logística do norte do Brasil", afirmou o diretor de operações da CDP, durante coletiva realizada na última terça-feira. "A ampliação do berço 12, concluída em março, foi fundamental para absorver esse volume adicional sem comprometer os prazos."

A expansão da infraestrutura portuária faz parte de um plano de modernização que começou em 2022 e prevê investimentos de R$ 1,4 bilhão até 2028. Além da ampliação física, o projeto inclui a digitalização dos processos de desembaraço aduaneiro, o que reduziu o tempo médio de liberação de contêineres de 72 para 38 horas.

Para os exportadores da região, o impacto é direto no custo logístico. Empresas que antes precisavam transportar sua produção até os portos de Santos ou Paranaguá agora encontram em Belém uma alternativa competitiva. "A diferença no frete rodoviário chega a 40% em alguns casos", calcula o presidente do Sindicato dos Exportadores do Pará.

O crescimento, porém, também traz desafios. O tráfego de caminhões nas vias de acesso ao porto aumentou significativamente, gerando congestionamentos nas avenidas Bernardo Sayão e Visconde de Souza Franco. A prefeitura de Belém estuda a criação de um corredor exclusivo para veículos de carga, mas o projeto ainda não tem prazo definido.

Outro ponto de atenção é a qualificação da mão de obra. Com a expansão das operações, a demanda por estivadores, operadores de equipamentos e técnicos em logística cresceu mais rápido do que a oferta. O Senai do Pará abriu 400 novas vagas em cursos técnicos voltados para o setor portuário, mas especialistas apontam que a carência ainda é grande.

Para o segundo semestre, as projeções seguem otimistas. A previsão é de que o porto movimente 18 milhões de toneladas no ano, superando o recorde anterior de 15,2 milhões, registrado em 2024.